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PARA REINVENTARMOS O PT EM NITERÓI.

Atualizado: 29 de dez. de 2025


Certa vez um importante político no contexto da redemocratização, no início da década de 1980, enunciou a seguinte frase: “ninguém vive a união ou no estado; as pessoas vivem no município.” Gostaria de começar a apresentação do nosso argumento com essa frase que representa quase uma anedota no imaginário político nacional para refletirmos sobre o papel do nosso partido na cidade ante os desafios colocados pela conjuntura nacional.  Neste sentido, sendo direto, a luta política em nossa cidade ganha um papel central, obtendo um papel estratégico nos enfrentamentos do campo popular contra a extrema direita. 

A defesa do Governo Lula e o apoio às políticas transformadoras que mudam a vida do nosso povo se dão nacionalmente nos discursos, no congresso nacional, nas decisões do Governo Federal, mas não prescindem da luta cotidiana, feita pela militância, nas periferias, nas favelas, nas escolas, fábricas e universidades e para isso, é fundamental que o Partido dos Trabalhadores em cada cidade seja vivo, orgânico e capaz de reunir, formar e agir conjuntamente com a sua militância. A maior escola de formação política é a recorrência do debate partidário. É no cotidiano que a luta faz sentido, no laços de solidariedade que são construídos na caminhada, que permitem a transformação da vida das pessoas.

Não existe democracia partidária sem dar poder às bases e aos militantes do partido. Programas de formação política são importantes, mas o cotidiano da organização e ação política forma e prepara mais qualquer militante do que mil aulas.  Assumimos o compromisso de não permitir que a inexistência das reuniões de diretório seja naturalizada, que as instâncias do partido não funcionem, que partido não tenha sede, que a militância não tenha qualquer tipo de apoio do partido em suas lutas e que os rumos do partido sejam decididos por poucos. O PT pertence à sua militância e é ela que construiu e deve conduzir o partido.

O PT na cidade de Niterói precisa se reconectar com as lutas populares da nossa cidade, pois embora possamos observar avanços em diversas áreas na gestão municipal e sabemos da importância de trabalharmos em torno da manutenção da frente democrática que apoia o atual governo, o PT precisa encontrar a justa medida entre a preservação de aliança com os partidos e com o governo, mas sem com isso abdicar de apoiar os movimentos sociais que reivindicam melhorias das condições de vida e aperfeiçoamento das ações de governo na cidade. Sabemos que não é uma equação simples, mas acreditamos que o debate partidário e o esforço coletivo são essenciais para iluminar o caminho a ser seguido pelo Partido dos Trabalhadores em Niterói.


Raphael Xavier 

Professor de História da Rede Estadual do Rio de Janeiro;

Professor e Coordenador do Pré-Universitário Popular Milton Santos;

Doutorando em História Social pelo Programa de Pós-Graduação em História da UFF.


 
 
 

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